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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A camiseta da Elis


São duas coisas:

1. posar pro Idro requer paciência... ou espírito de avacalhação. Põe a perna assim, faz assim com os braços, um sorriso de tal jeito. Daí entrei no espírito da coisa, e fiz pose tão fresca, tão em desacordo comigo,  que ele se botou a rir e não fotografou. Boquinha de coração e tudo. Tivemos que começar tudo de novo! Caprichei na pose, mas depois da bagunça, esqueci de encolher a barriga, né?  Tinha rido demais, me deem licença... Mas sou a Madame Corruíra de Flávio José Cardozo, a barriguinha faz parte.

2. Este é o calçadão da Intermares, e estávamos - Idro e eu -  indo à avenida, tomar água de coco no "freguês" que vende o produto baratinho. Pedi a foto pra mandar pro Alberto, que não tinha me visto com ela.  E foi graças a ele que a comprei. Ele me mandou o site que a estava vendendo. E essa camiseta tem uma história. Vou contar, tá bom? Eu conto!

Ali onde na bandeira do Brasil está o lema positivista "Ordem e Progresso", na camiseta se lê "Elis Regina". Não lembro o ano ('cês sabem: dislexia cronológica) , mas estávamos na ditadura. Elis ia estrelar um show chamado Saudades do Brasil, cujo nome já deve ter dado problemas com a censura. Esta camiseta foi feita para que ela a usasse no show, por ser, além da voz maravilhosa, daquela paixão intensa em tudo, a "pimentinha" extraordinária, de um bom gosto fora do comum na escolha do repertório, considerada a que melhor cantava e expressava o sentimento de ser brasileiro, a que melhor dizia o Brasil. Mas era camiseta preta - tinha que ser, né?

A censura proibiu, não considerou uma homenagem para o país ter tal intérprete (como seria o ideal), e ela estreou o show com o que chama "roupa de trabalho". O CD existe, são dois, e em algumas capas, as das edições mais recentes,  ela está com a camiseta. Elis foi enterrada com ela. Assim, não ousei comprar a preta, e comprei a rosa choque.

Tá aí, Albertim, pra veres a bendita. Que uso, e adoro.


A camiseta no jeito original.

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