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terça-feira, 14 de junho de 2011

Uma história de cabrito



A sogra era um estereótipo de sogra, a mulher estava grávida pela quarta vez, os três filhos eram endiabrados que só. A casa, uma cabana pequena nas montanhas do Tibet. Se esfriasse muito, a vaca vinha pra dentro de casa: ajudava a esquentar a casa, e a mantê-la aquecida, também. Só o cabrito, por ser animal da região, ficava sempre do lado de fora, acostumado que estava às baixas temperaturas e às tempestades todas.

O montanhês estava já em desespero, sem aguentar sua própria vida. E então resolveu ir se aconselhar com o homem santo que morava no alto da montanha. Contou-lhe tudo, detalhe por detalhe. O homem santo fechou os olhos, e ficou meditando. Algum tempo depois, abriu os olhos, e olhou firme para o consulente:

- Vou lhe dar conselho que você vai achar meio estranho, mas quero que prometa que vai cumprir exatamente como estou dizendo.

- Sim, santo homem, pode confiar. Prometo cumprir, por mais estranho que me pareça.

- Então, meu bom homem, volte pra sua casa, pegue o seu cabrito de onde estiver, e tranque-o dentro de casa. E volte daqui a uma lua.

O montanhês olhou para o monge com a maior estranheza: ele tá é caduquinho da silva, deve ter pensado. Mas promessa é promessa, voltou pra casa, e apesar dos protestos da mulher e da sogra, trouxe o cabrito e colocou-o também dentro do pequeno casebre.

Acostumado a viver solto, o animal aprontou horrores: balia a todo instante, longos e altos balidos cheios de angústia. Deu marradas nos móveis e nas pessoas. Deu coices pra todo lado; quebrou louças e objetos. Fez cocô e xixi pra todo lado. E o montanhês aguentando isso, mais as reclamações de todo mundo.

Uma longuíssima lua depois, voltou ao santo homem:

- E agora, que devo fazer?

O santo homem olhou-o com a mesma calma de sempre, e sentenciou:

- Agora volte pra casa, e tire o cabrito lá de dentro...

Pois é, minha vida sem o cabrito é meu pé sem o olho de peixe. Está como sempre foi, mas é o paraíso na terra!

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