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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um cadáver ao sol



Não tou economizando nas leituras, mas tou me poupando nas palavras. Peguei duas críticas no Observatório da Imprensa:

Final da resenha do Sérgio Augusto:


Quando o jovem tipógrafo, linotipista e editor de jornais alternativos Antonio Bernardo Canellas chegou a Moscou, em setembro de 1922, seus mestres eram os mesmos que haviam feito a cabeça do anarcossindicalismo então dominante. Não preferia Proudhon, Bakunin e Kropotkin a Marx e Engels por razões ideológicas, mas porque só conhecia bem o pensamento dos três primeiros. E nenhum deles confiava no comunismo, ‘a negação da liberdade’, alertara Bakunin. Canellas foi o primeiro brasileiro a entrar na Rússia depois da Revolução Soviética. Com apenas 24 anos, era um dos mais jovens dos 394 delegados credenciados para o 4º Congresso da Internacional Comunista - e o único representante do Brasil. Ou melhor, do recém-criado Partido Comunista do Brasil (depois, Brasileiro). O PCB buscava reconhecimento e integração na Internacional Comunista. Canellas melou tudo.

Condicionado por sua formação anarquista e desacostumado com o centralismo vigente na IC, o delegado do PCB ousou, durante o congresso, defender a liberdade de expressão, votar contra propostas que julgava incorretas e até um aparte fez ao camarada Trotski. Caiu em desgraça; primeiro lá, depois cá. ‘Traidor da classe operária’ foi o mínimo de que foi acusado pelos mandarins do PCB, Astrojildo Pereira e Octávio Brandão, que ainda o xingaram, por escrito, de patife, velhaco, indigno, vil, presunçoso, pernóstico, ignorante, ridículo, delirante, neurastênico - e o expulsaram do partido. Canellas foi apenas o que Iza Salles acaba de nos revelar em seu livro Um Cadáver ao Sol, lançado nesta semana pela Ediouro: um jovem idealista, coerente com suas idéias e corajoso o bastante para não se submeter às humilhantes autocríticas celebrizadas pelos partidos comunistas. Um mártir de sua classe. Como os que serviram de inspiração para o Dia do Trabalho; perdão, do Trabalhador."

O início da de Carlos Marchi:



"O reencontro com o vício do autoritarismo", copyright O Estado de S. Paulo, 1/05/05

"O stalinismo chegou ao Brasil antes de Stalin assumir o poder na União Soviética e iniciar o maior genocídio da História. Entre nós, a primeira vítima dos expurgos comunistas foi Antônio Bernardo Canellas, um niteroiense libertário que em 1922 foi indicado pelo recém-fundado Partido Comunista do Brasil para representá-lo no 4.º Congresso da Internacional Comunista, em Moscou. A comovente história de Canellas é contada no livro Um Cadáver ao Sol, que, segundo a autora, a jornalista Iza Salles, estimula reflexões sobre o autoritarismo marxista e sobre o Brasil atual.

O livro de Iza escancara a vocação sempre autoritária do marxismo, ao relatar em minúcias o processo kafkiano instaurado contra Canellas por ordem direta de Moscou. De acordo com ela, o vício autoritário que surpreendeu Canellas na Internacional Comunista tem muitas semelhanças com o Brasil atual e com as tentativas de estabelecer controles sobre a sociedade. O processo que marcou a expulsão e a desqualificação pública de Canellas guarda muitas semelhanças com a expulsão de militantes radicais que discordaram do PT.

Iza, que foi presa política na ditadura militar, também lembra que o regime soviético liquidou os anarquistas na União Soviética e obrigava os PCs de todo o mundo a combater os seus adversários históricos - os anarquistas e os social-democratas. (...)

Quem quiser mais, inclusive analogias com procedimentos do PT, encontra AQUI.

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